“You used to say live and let live

You know you did

You know you did

You know you did

But if this ever changing world

In which we live in

Makes you give in and cry

Say live and let die, live and let die”

Caros leitores, me dei ao luxo de ter um ano Sabático. Sim, aquela época em que se pára para pensar na vida e acertar tudo (ou quase tudo) que se vê de errado. Na lista acaba entrando o que você não via também, já que no mundo corrido em que vivemos, costumamos nos observar muito pouco. Na verdade esqueci de mencionar que foi um ano sabático voluntário no princípio e que depois se tornou compulsório.


What u mean?

2010 foi um ano maravilhoso em muitos pontos:  Trabalhei onde eu queria, fui terminando de mobilhar minha humilde casa, pude dedicar um tempo aos estudos e ao estudo de várias línguas ao mesmo tempo (algo que sempre sonhei… falar além do inglês básico), me apaixonei pelo alemão, francês, aprimorei o inglês e descobri facilidade no italiano. Tudo a contento para uma futura jornalista. Me apaixonei por pessoas e lugares, li livros maravilhosos e aprendi muito sobre a vida. A parte ruim de 2010 encontra-se no tabagismo e no estress.  Não posso me orgulhar de fumar quase 4 maços por dia (70 a 80 cigarros – exagero? Acredite, a rotina trabalho + faculdade + trânsito + cuidar da casa me exauriram de forma nunca vista antes.) Tirando o estress com prazos, horários, administração financeira, unhas impecáveis, cabelo impecável e curto e tingido( prático até que se tenha que pisar no salão a cada 15 dias), rotinas de uma dona de casa e problemas interpessoais de quebra.


Ok, daí eu descobri algo que mudou a minha vida. Eu estava grávida!  Não era TPM, sua desligada estressada. Era um bebê com 3 meses e alguma coisa dentro de você. 


Daí começou uma coisa muito louca! Eu me vi sendo mãe e tendo que aprender tudo sobre isso rápido! Muito rápido! Afinal de contas sou orfã. Cadê mãe quando precisa? O máximo que ela fazia era dar um oi nos meus sonhos. Cadê alguém para me pegar pelo ombro e conter minha vontade de bater a cabeça na parede compulsivamente.  Já podia até ouvir minha família falando: ” Sabia que a IRRESPONSÁVEL ia fazer alguma merda com a própria vida, já não bastava comprar um lugarzinho ovo pra morar e sumir, tinha que trazer problema! Se VIRA!”  e já estava sonhando (tendo pesadêlos) com a minha pessoa, sem aptidão para a sagrada maternidade surtando com um baby chorando sem parar e os meus amigos falando pelas minhas costas coisas como ” meteu o pé na jaca e usou de pantufa” para baixo. 


Ok, passado o susto inicial, eu me senti numa gestação. Eu me voltei para dentro e fiquei bem quietinha, tentando superar os problemas com o maldito plano de saúde que me faltou quando eu mais precisei, o fato de estar em transição na área profissional quando a notícia me acertou como um raio ( ou seja: perdi um emprego e estava procurando outro que me deixasse estudar! E ninguém contrata Gestante, só pra lembrar!) e a falta de logística da empresa mais importante – Minha vida – não ajudava nem um pouco.


– Admito que chorei quando vi os 2 risquinhos no teste de gravidez. E não foi de alegria – foi de medo! – Nunca senti tanto MEDO na minha vida. Medo de não dar conta, do meu relacionamento naufragar, de minha vida fracassar e meu filho ter a pior mãe do mundo.  Do meu filho nascer pelo SUS (já que eu tava sem plano de saúde que a empresa do-cin-ho cancelou mesmo pago e não avisou!) e morrer, sei lá- falam tão mal do SUS.


E sabe o que aconteceu? O tempo me mostrou que eu estava completamente errada. Nenhuma das minhas expectativas apocalípticas se concretizaram. 


O Gabriel foi a cura no meu ano Sabático!


Minha família (brigada com a minha pessoa há anos – na verdade eu briguei e eu estava mais do que certa) não me julgou, _ não na minha frente pelo menos _ mas sim me acolheu. 

Meus amigos se mostraram as pessoas mais maravilhososas desse mundo! Um verdadeiro presente! O Biel têm as tias mais corujas que eu já vi! 

A parte financeira foi bambiando mas se ajeitando a contento – meu filho não ficou sem berço, enxoval e brinquedos porque eu não podia trabalhar fora. 

Eu não precisei pensar em nunca mais pisar na faculdade. – Que eu amo diga-se de passagem. 


A barriga foi crescendo junto com as expectativas, com os desejos de madrugada e com o amor que eu sentia por aquele estranho, ao mesmo tempo tão familiar, que tomava conta do meu ser. Junto com os chutes e enjôos, eu fui crescendo também. A gestação não foi somente a formação do corpinho do meu filho, nasceu junto uma mãe. Que leu uns 30 livros sobre maternidade e sobre pedagogia. Que tentou harmonizar a criança interior dela ( já tão esquecida) de forma a poder ver meu filho de um ângulo mais horizontal. A magia de ter um vínculo com o pai dele, que independente do “nós” é um pai coruja, que beijava a barriga e contava histórias pra ele. 


E o corpo foi mudando, ficando mais pesado, arredondado. O sutiã não servia mais, a camiseta ficava justa e a calça machucava. Os pés incharam. Fui dos 49Kg para o 62Kg. Tudo isso em 1.58m de altura. Conforme a data do parto se aproximava eu desejava TANTO aquela criança! Chorei no 1º ultra-som, em todos na verdade tive vontade de chorar – ouvir o coraçãozinho dele bater foi mágico! Naquele momento desejei que minha mãe estivesse ali comigo – mas de certa forma ela está. Naquele momento eu me senti uma Amazona, ou a Mulher-Maravilha disposta a tudo para lutar pela vida, pelo direito de ser mãe e ser mãe plenamente. De saber que eu faria tudo para e por aquele serzinho!


Nome… que nome damos pra ele? Como vai ser o berço? As contas vão fechar? E o pré-natal? Puts, pielonefrire e uma internação na Sta Casa.  – “Ele pode nascer prematuro” , dor nas costas, não consigo dormir, – ” Amor, to tendo uma hemorragia!” – A bolsa estourou… Cesárea de emergência… nossa uma montanha-russa sem cinto de segurança!


Acho que amadureci 5 anos em 9 meses.  A maternidade muda a gente. Me vi mais próxima de Deus. Quando eu pensei que não tinha chão, que estava tudo errado, quando eu não entendi o porque, ” – Why Now Lord? ” – eu percebi que não precisava entender. Ele estava ali, me levando no colo quando eu achava que estava sozinha. A vida não dá asas para cobra e se ela me elegeu para ser mãe dessa criança tão especial, é porque não podia ser nenhuma outra mulher no mundo – que não EU.  


O Gabriel foi o freio de mão usado pelo Divino para me tirar de um caminho que não era o certo para mim. Larguei o cigarro antes mesmo de saber o resultado (enjoava só com o cheiro), comecei a me alimentar melhor – curei minha gastrite assim – , li um monte de livros de uma vez – Ele sabe como eu sentia falta disso -, pude me dedicar a sonhar e construir, sem que isso parecesse errado ou egoísta e como toda mãe protegendo a cria ( e nessas horas o instinto animal em uma espécie de Matar ou Morrer grita ) tirei do meu caminho tudo e todos que atrapalhavam de alguma forma o meu progresso. 


Me senti responsável por uma vida, e pela minha vida também. Prometi pra mim mesma que faria valer a pena. Que seria uma mãe igual ou melhor do que minha mãe foi. Não perfeita, mas preparando os filhos para que eles tivessem auto-estima e enfrentassem a vida.  Pela 1ª vez pensei na minha morte – e no quão assustadora ela pode ser para quem fica.


Daí uma bela manhã, sozinha em casa, a bolsa estourou e 18 horas depois de muita dor e lágrima pela falta de dilatação ( que o docinho do Gabriel fez força pra estourar a bolsa, aquele aguacê todo e depois cansado ficou paradinho na dele – Se vira mãe!) e uma cesárea de emergência no dia 25/07 meu bebê nasceu. E é a coisa mais linda do mundo! Doeu MUITO! Foi induzido e eu queria um parto normal que não rolou. Mas antes isso do que meu bebê ter alguma sequêla. – Contrações tão próximas dificultavam a chegada de oxigênio até ele.


Ele é esperto, sorridente, falante ( balbuciador né), engraçado, dorme a noite inteirinha, um verdadeiro anjinho! O medo de não dar conta passou. Fico sozinha com ele a maior parte do tempo com alguns sustos no hospital sem problema algum. É tão gostosa a nossa sincronia, amamentar, brincar, embalar, ninar e amar ele. Nunca pensei que pudesse AMAR TANTO alguém. Olha que eu não cresci com muito contato com a natureza, mas ele nasceu e explodiu em mim um instinto de sobrevivência absurdo! Me descobri mulher, bicho, mãe – lambendo muito a cria – É algo quase viceral. E eu nunca estive tão feliz! Depois de tantas decepções dei boas-vindas para o 1º membro da MINHA família. Ele é uma motivação maravilhosa. 


Resolvi escrever esse post para fazer uma constatação:


– Eu achava que o caminho certo para dar errado estava em uma maternidade antes dos 25 anos de idade, ou antes de casar oficialmente com alguém, ou de terminar a faculade e coisas preconceituosas assim que as mães enfiam na nossa cabeça com medo de virarem avós cedo ou de verem seus bebês passando por dificuldade. Que não existia vida pós maternidade e que as mulheres deveriam se comportar de acordo com um padrão X. E vi que estava redondamente enganada.

Li em uma crônica em uma revista mensal que os filhos acham que a gente sabe de tudo e que faz falta alguém do lado, segurando sua mão, mesmo que você já saiba fazer tudo sozinha- muito bem, obrigada! E que só amadurecemos quando perdemos os pais e estamos de certa forma sozinhos no mundo. Eu recebi um puta legado de 2 pessoas maravilhosas e que bom que tenho uma continuação minha para repartir. Que bom que não vou ganhar mais um gato no aniversário para me fazer companhia e que bom que depois da morte existe o nascimento e que ambos mudam TUDO!


Eu sonhava com uma vida perfeitinha e sob controle, e estava super rígida e inflexível. E o Biel mudou tudo de cabeça pra baixo e deu uma sacodida e quer saber? Eu Amei!


Posso não ter me casado com aquele cara que eu achava que era o ideal, ou ter as coisas aceleradas quando achei que precisava… mas pela 1º vez em muito tempo eu sinto que estou no caminho certo. Eu podia não saber onde tudo ia dar, mas aquele lá em cima sabia muito bem o que estava preparando para mim. E eu descobri novamente que posso ir mais longe, que eu aguento mais desafios e que eu amo eles!


Foi um ano sabático em um post longo… de alguém que agora pode dizer que viu um milagre acontecer!


Obrigada por me ensinar tanto Filho!


Eu mudei para melhor, me tornei mais paciente, flexível, empática, feminina, sensível, justa, sincera, amorosa, expontânea… uma porrada de coisas boas que eu vou descobrir mais e mais conforme o tempo passar.


A gente só entende o que é ser pai/mãe quando vira um. 


E quer saber? Meu filho vai ter uma puta mãe, com uma ou outra tatoo, viajando pelo mundo com ele de trabalho em trabalho e ensinando na prática como a vida é.


– Ser mãe é uma viagem muito louca! – Porque ninguém nunca me disse isso antes? 



Ps: não faço votos que meninas tenham filhos cedo! Tenho meu canto, pago minhas contas, volto p facul em janeiro e já sou maior de 21. Se você ainda não pode bancar e vai correr pro papai e pra mamãe, #ficaadica – Pense bem antes de fazer e se fizer não corra. Seja mulher e ASSUMA! Ser mãe não é doença ou falta de caráter. Com o pai do lado ou não, se chame a responsabilidade e receberá um grande presente. Amadureça ! Não dá pra ser criança pra sempre!



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