” Precisamos conversar… “
Ela acabava de dizer aquela frase que soa como ” Cheque-mate”. Conseguia provocar dor mesmo sorrindo… em alguns dias eu senti raiva daquela facilidade, daquela meiguice trabalhada com requintes de crueldade. 
“Ela raramente tem consciência do que fala… melhor preparar a blindagem. ” – empirísmo entrando em ação.
Dia e hora marcados, milhares de penamentos tomaram forma na mente dela. Conclusões – nem todas pautadas em fatos, mas ainda assim decisivas. 
” Não consigo fazê-la mudar de idéia em nada! Uma batalha perdida”
Me entrega uma carta, outra entre outras tantas, exceto pelo medo de ler, pelas olhadas furtivas esperando salvação que de forma alguma viria. 
Algo quebra, posso ouvir o som oco com nitidez. Continuamos a brincar e a sorrir, fingir que nada aconteceu. Agora estou eu, sentada na frente do computador, tentando juntar os caquinhos, segurando o choro que balança entre o “desnecessário” e o ” em vão”. 
Ela é uma incógnita. 
Não é número exato, estudado… hora é X, hora Y. E eu sempre fico com a culpa no inconsciente como se fosse uma criança fazendo algo de errado. São desculpas repetidas, são frases doídas, são birras e manhas que eu não ouso entender. Enfim a história teve um fim, milhares de perguntas me rondam e eu as calo todas. Onde está o mistério das coisas? – dizia Alberto Caeiro. – Em lugar algum… não existem. – Essa é sua resposta, e a minha também. 
Amo aquilo que conheço, não um jogo. Não uma incógnita. Não sou física, sou normal… gosto do senso comum e não de seguir a vontade alheia. Precisei sumir, resolver minha vida que ninguém vai resolver por mim. Gosto da simplicidade, da ausência de cabelos em ovos, de aprender sobre as pessoas, de pessoas racionais e maduras… gosto de respeito, gosto de carinho e de compreensão. 
Gosto de pessoas despidas de medo e não de incógnitas. Tenho tantas outras coisas para fazer/pensar/resolver… Além do remorso do início disso tudo. 
Ela não viu os dias vazios, ela não viu as lágrimas e as dúvidas… 
Ela não viu a compreensão. Ela não viu nada além do próprio umbigo, da própria dor, da própria fraqueza. Ela não ouviu além dos elogios recebidos, dos dias perdidos…
Ela não me viu. Não teve essa sensibilidade, entre palestras dela para ela mesma, no amor de Narciso, ela não entendeu que a essência do amor não mora em gostar das pessoas quando elas partem, mas em olhar com olhos curiosos todos os dias. Ela (essa Pessoa), não conhece além do egoísmo.
” E ela partiu, virou outro alguém… começou a atuar, como fazia para esconder a  dor. Da lágrima á indiferença, tristeza vira alegria e tudo está bem. Ela nem notará, melhor assim…
Ela não vê, ela não ouve, ela demove qualquer ação… “
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