“A vida que me ensinaram
Como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro,
Família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito
Se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo
É menos do que eu preciso
Agora você vai embora
E eu não sei o que fazer
Ninguém me explicou na escola
Ninguém vai me responder
Eu sei a hora do mundo inteiro
Mas não sei quando parar
É tanto medo de sofrimento
Que eu sofro só de pensar
A quem eu devo perguntar
Aonde eu vou procurar
Um livro onde aprender
A você não me deixar”
Educação Sentimental II – Biquíni Cavadão
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*Depois da revolta de ontem… de volta ao estado zen.* XD
Eu tenho uma memória muito viva dessa música, na verdade está na minha lista de memórias que eu preferi durante muito tempo não ter e que no final vi que era uma bobagem muito grande tentar eliminar todo o passado. Não tenho só lembranças boas, mas devo muito ao meu passado, sinto meio que uma gratidão por tudo de bom e de ruim que eu já vivi.
Eu lembro de ter ganho um cd junto com um livro de presente de dia dos namorados (tudo made in home) acompanhado de um pedido meio que de brincadeira de casamento e uma rosa, eu disse para a pessoa que não guardei nenhuma recordação em um dos nossos últimos milhares de desentendimentos e reaproximações feitas de forma errada e com certeza na HORA errada dizendo coisas indizíveis.Mas bem, eu guardei tudo… guardei com carinho, não sei quanto a pessoa, mas aquele cd me traz ótimas lembranças de uma época em que tudo era simples e em que eu era muito mais verdadeira em muitos pontos.
Não gosto de revirar o passado, o sobre essa pessoa em especial ainda me é doloroso, muito menos a cada dia que passa, mas as coisas que eu aprendi no presente meio que curaram parte do meu passado e a isso eu também sou grata. Se eu pudesse pedir desculpas, acho que eu pediria para várias pessoas, mas eu sei que quando eu marco uma pessoa é para deixar cicatriz então eu me limito a pedir perdão a Deus e a desejar o bem via pensamento. Como eu digo sempre… o que interessa é quem eu sou agora, e não há mais necessidade de provar isso para ninguém. Dou minhas cabeçadas como todo mundo, e tento ser feliz como todo mundo… fé em Deus e isso me basta.
Parando com o confessionário e suas memórias e indo para as analogias….
Eu ouvi essa música hoje, e eu parei para pensar na minha falta de aptidão para relacionamentos, não só na minha mas na de uma geração inteira. Chamo de “ultra românticos nascidos nos anos 80”, regados a filmes melosos e idealizações. Lembro do meu 1º namorado, e eu sabia milhares de teorias sobre como um relacionamento deveria funcionar, mas não sabia nada na prática de como fazer ele durar. Para uma primeira experiência, 3 anos e 2 meses (acho… péssima para contas, mas passou do aniversário de 3 anos. ) até que foi um recorde bom, mas acho que se alongou demais… na época eu não sabia a hora certa de parar e acho que ambos não sabiam como esquecer. Naquela época eu achava mais simples uma prova de matemática com toda a matéria de funções, que eu só fui assimilar para o vestibular no Cursinho, do que entender por que nós brigávamos tanto!
Os anos passaram e eu vejo que não existem regras, na verdade algumas básicas como no xadrez e o resto é com vocês e os movimentos feitos. O resultado muda muito de um casal para outro, mas a minha idéia fixa de que a escola e os pais não preparam os filhos para um relacionamento a dois, ainda visita minha pensante cabeça em sextas-feiras sem nada de muito especial. Infelizmente algumas coisas se aprendem na prática: beijo, sexo, beber, dirigir… vivenciar ainda é a melhor maneira de se aprender. Se aprende vivendo. A educação sentimental rola na prática, não acredito em quem faz um check-list,  tentando racionalizar tudo e seguir um manual inexistente da melhor conduta que o casal deve ter.
No campo sentimental tudo é muito relativo, cheio de “porquês”, de motivos e complexidades. Pessoas tomam atitudes iguais por razões diferentes e em um caso pode ser bom, no outro ruim ou condenável. Tanto relativismo me força a pensar, o que me leva a ver meus últimos relacionamentos de forma racional, blindei sem dó meu coração. Talvez a entrega incondicional e sincera tenha feito meu 1º namoro durar tanto, e talvez a falta de entrega tenha feito os outros não passarem do 1 ano e meio, mas sou dada a extremos chegando mais perto do equilíbrio a cada dia. Falando ainda dele, eu passei por várias fases estranhas nas várias vezes que terminamos… Dor, raiva, depressão, ódio, sentimento de desprezo, indiferença, vingança -sim eu pedi revanche e machuquei ele…- inconformismo, dó, (colhi o que eu plantei né… levei o troco), meditação, julgamento, absolvição e por fim gratidão. Não há mais nada a ser especulado sobre isso… peguei um sentimento grande e reduzi e transformei ele ao máximo. Tudo que começa tem que ter um fim…
Não quero colecionar relacionamentos, acho estúpido emendar um namoro atrás do outro, decidi que se agora tiver que ser, não vai ser pela paixão como com o 1º, ou pela química e pelo esquecimento com o 2º, ou pela amizade com o 3º, pela solidão com o 4º, pela idealização com o 5º, pela intensidade e dominação ( a la o vento levou… igualzinho.¬¬’) como com o único que morou 1 ano e meio comigo. Do 1º até o último passaram-se quase 7 anos e eu não vejo mais espaço para paixões desenfreadas, feitas por caprichos, orgulhos tolos que só condenam a alma humana a dor e a solidão. Dois desses relacionamentos nem deveriam ser chamados de namoro, mas casinhos…tentativas de talvez virar um relacionamento, mas pela duração e porque houve sentimento estão aqui citados.
Sinto que estou fechando um ciclo, meio que uma despedida dos fantasmas do meu passado. Me sinto muito mais leve depois do ritual que eu fui com o Dario. Materializei aquilo que existia dentro de mim e pela 1ª vez em muito tempo pedi verdadeiras desculpas a todos que machuquei, mesmo que eu pague pelos meus atos    (e de muitas formas eu mereço) sinto que posso fazer isso sem medo, sinto que estou quite com Deus, com a minha consciência e depois de tantas lágrimas talvez com a vida. Depois de um ciclo vicioso eu aprendi que com o coração não se brinca, que o desapego evita machucados e relembrei que saber para onde se vai ainda é a melhor forma de ser feliz.
Talvez você seja uma daquelas pessoas que se martirizam por todos os erros cometidos, ou que não liguem para o passado porque ele não volta, ou que xingue todos(as) ex namorados(as) desejando que quebrem o pescoço ao descer uma escada, ou desejem ter uma munição com balas de prata para a pessoa ir e nunca mais voltar, mas eu acho tudo isso uma grande bobagem.

Quando eu penso em todas as vezes que eu passei por momentos difíceis, eu vejo com clareza a imagem de algum amigo, ou ex namorado me apoiando, me dando colo, me acordando de manhã quando eu estava em depressão, me trazendo comida em casa, indo até o hospital comigo, não dormindo porque eu estava ardendo de febre, não dormindo porque estava o tel comigo até as 4am, ou segurando minha mão no velório da minha mãe, me abraçando bem forte quando meu avô morreu, me ajudando a escolher um apartamento, até aconselhando sobre outros caras mesmo sendo ex, fazendo festa de aniversário surpresa, levando café da manhã na cama, me dando bronca, ensinado a pilotar uma moto, me ajudando a mobiliar a casa, me ajudando a estudar e comemorando quando eu passei na Mackenzie, enxugando minhas lágrimas quando eu precisei sair de casa, e ouvindo quando a minha família me traiu, me buscando no trabalho ou fazendo a janta… era verdadeiro e a alma se alimenta disso. Era amizade e amor em suas diferentes formas, era doação… então eu não consigo pensar de forma ruim de nenhum deles. Me recuso a desejar mal, pois eu estaria pagando momentos importantes, únicos e felizes com ingratidão. Eram coisas que a gente faz quando se importa, tipo família, então sempre vai ter um lugar especial aqui, independente das lembranças ruins.

Não desejo de nenhuma forma que o passado volte, é para frente que se anda, mas se a vida me fizesse esbarrar com algum deles eu até olharia com aquela cara de joinha…rs De poxa, valeu por ter estado ali e ter ido embora quando achou que era a hora. Valeu pelas lembranças, por ser um cara bacana, por ter me ensinado tanto… se sou uma mulher hoje, devo muito a você! Realmente me desculpe por não ter cuidado tão bem do seu coração como eu deveria, também não cuidaram do meu e ai eu aprendi. Não falaria nada, depois de tantas palavras ao vento, tantas juras de eternidade efêmera e bilhetes no espelho de motéis, você vê quando você perde você ganha e que não há nada a ser dito…

Olhar para frente com aquela sensação de valeu a pena… hoje eu vejo muito mais longe do que antes, vejo com mais clareza meu passado por não ter sentimentos envolvidos. Valorizo mais esses momentos como esses que eu citei, não vejo como obrigação, mas como presentes que a vida dá. Deus colocou anjos da guarda no meu caminho até aqui, até que eu decidi ser o anjo da guarda de alguém, não pedir colo, mas sim dar… é mais difícil do que eu pensei, mas eu me sinto bem me doando, mesmo que eu me machuque, sei que vale a pena.
“Quando tudo mais que você sentir morrer, preserve a gratidão com você para que o coração não endureça. Deus faz hoje e só vamos entender lá na frente… Não peça nada em troca.”
Acho que eu fiz um balanço sem querer por estar num momento de pausa… um momento comigo mesma, e estou bem não sentindo falta de estar com ninguém.
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