Live and Let Die!

“You used to say live and let live

You know you did

You know you did

You know you did

But if this ever changing world

In which we live in

Makes you give in and cry

Say live and let die, live and let die”

Caros leitores, me dei ao luxo de ter um ano Sabático. Sim, aquela época em que se pára para pensar na vida e acertar tudo (ou quase tudo) que se vê de errado. Na lista acaba entrando o que você não via também, já que no mundo corrido em que vivemos, costumamos nos observar muito pouco. Na verdade esqueci de mencionar que foi um ano sabático voluntário no princípio e que depois se tornou compulsório.


What u mean?

2010 foi um ano maravilhoso em muitos pontos:  Trabalhei onde eu queria, fui terminando de mobilhar minha humilde casa, pude dedicar um tempo aos estudos e ao estudo de várias línguas ao mesmo tempo (algo que sempre sonhei… falar além do inglês básico), me apaixonei pelo alemão, francês, aprimorei o inglês e descobri facilidade no italiano. Tudo a contento para uma futura jornalista. Me apaixonei por pessoas e lugares, li livros maravilhosos e aprendi muito sobre a vida. A parte ruim de 2010 encontra-se no tabagismo e no estress.  Não posso me orgulhar de fumar quase 4 maços por dia (70 a 80 cigarros – exagero? Acredite, a rotina trabalho + faculdade + trânsito + cuidar da casa me exauriram de forma nunca vista antes.) Tirando o estress com prazos, horários, administração financeira, unhas impecáveis, cabelo impecável e curto e tingido( prático até que se tenha que pisar no salão a cada 15 dias), rotinas de uma dona de casa e problemas interpessoais de quebra.


Ok, daí eu descobri algo que mudou a minha vida. Eu estava grávida!  Não era TPM, sua desligada estressada. Era um bebê com 3 meses e alguma coisa dentro de você. 


Daí começou uma coisa muito louca! Eu me vi sendo mãe e tendo que aprender tudo sobre isso rápido! Muito rápido! Afinal de contas sou orfã. Cadê mãe quando precisa? O máximo que ela fazia era dar um oi nos meus sonhos. Cadê alguém para me pegar pelo ombro e conter minha vontade de bater a cabeça na parede compulsivamente.  Já podia até ouvir minha família falando: ” Sabia que a IRRESPONSÁVEL ia fazer alguma merda com a própria vida, já não bastava comprar um lugarzinho ovo pra morar e sumir, tinha que trazer problema! Se VIRA!”  e já estava sonhando (tendo pesadêlos) com a minha pessoa, sem aptidão para a sagrada maternidade surtando com um baby chorando sem parar e os meus amigos falando pelas minhas costas coisas como ” meteu o pé na jaca e usou de pantufa” para baixo. 


Ok, passado o susto inicial, eu me senti numa gestação. Eu me voltei para dentro e fiquei bem quietinha, tentando superar os problemas com o maldito plano de saúde que me faltou quando eu mais precisei, o fato de estar em transição na área profissional quando a notícia me acertou como um raio ( ou seja: perdi um emprego e estava procurando outro que me deixasse estudar! E ninguém contrata Gestante, só pra lembrar!) e a falta de logística da empresa mais importante – Minha vida – não ajudava nem um pouco.


– Admito que chorei quando vi os 2 risquinhos no teste de gravidez. E não foi de alegria – foi de medo! – Nunca senti tanto MEDO na minha vida. Medo de não dar conta, do meu relacionamento naufragar, de minha vida fracassar e meu filho ter a pior mãe do mundo.  Do meu filho nascer pelo SUS (já que eu tava sem plano de saúde que a empresa do-cin-ho cancelou mesmo pago e não avisou!) e morrer, sei lá- falam tão mal do SUS.


E sabe o que aconteceu? O tempo me mostrou que eu estava completamente errada. Nenhuma das minhas expectativas apocalípticas se concretizaram. 


O Gabriel foi a cura no meu ano Sabático!


Minha família (brigada com a minha pessoa há anos – na verdade eu briguei e eu estava mais do que certa) não me julgou, _ não na minha frente pelo menos _ mas sim me acolheu. 

Meus amigos se mostraram as pessoas mais maravilhososas desse mundo! Um verdadeiro presente! O Biel têm as tias mais corujas que eu já vi! 

A parte financeira foi bambiando mas se ajeitando a contento – meu filho não ficou sem berço, enxoval e brinquedos porque eu não podia trabalhar fora. 

Eu não precisei pensar em nunca mais pisar na faculdade. – Que eu amo diga-se de passagem. 


A barriga foi crescendo junto com as expectativas, com os desejos de madrugada e com o amor que eu sentia por aquele estranho, ao mesmo tempo tão familiar, que tomava conta do meu ser. Junto com os chutes e enjôos, eu fui crescendo também. A gestação não foi somente a formação do corpinho do meu filho, nasceu junto uma mãe. Que leu uns 30 livros sobre maternidade e sobre pedagogia. Que tentou harmonizar a criança interior dela ( já tão esquecida) de forma a poder ver meu filho de um ângulo mais horizontal. A magia de ter um vínculo com o pai dele, que independente do “nós” é um pai coruja, que beijava a barriga e contava histórias pra ele. 


E o corpo foi mudando, ficando mais pesado, arredondado. O sutiã não servia mais, a camiseta ficava justa e a calça machucava. Os pés incharam. Fui dos 49Kg para o 62Kg. Tudo isso em 1.58m de altura. Conforme a data do parto se aproximava eu desejava TANTO aquela criança! Chorei no 1º ultra-som, em todos na verdade tive vontade de chorar – ouvir o coraçãozinho dele bater foi mágico! Naquele momento desejei que minha mãe estivesse ali comigo – mas de certa forma ela está. Naquele momento eu me senti uma Amazona, ou a Mulher-Maravilha disposta a tudo para lutar pela vida, pelo direito de ser mãe e ser mãe plenamente. De saber que eu faria tudo para e por aquele serzinho!


Nome… que nome damos pra ele? Como vai ser o berço? As contas vão fechar? E o pré-natal? Puts, pielonefrire e uma internação na Sta Casa.  – “Ele pode nascer prematuro” , dor nas costas, não consigo dormir, – ” Amor, to tendo uma hemorragia!” – A bolsa estourou… Cesárea de emergência… nossa uma montanha-russa sem cinto de segurança!


Acho que amadureci 5 anos em 9 meses.  A maternidade muda a gente. Me vi mais próxima de Deus. Quando eu pensei que não tinha chão, que estava tudo errado, quando eu não entendi o porque, ” – Why Now Lord? ” – eu percebi que não precisava entender. Ele estava ali, me levando no colo quando eu achava que estava sozinha. A vida não dá asas para cobra e se ela me elegeu para ser mãe dessa criança tão especial, é porque não podia ser nenhuma outra mulher no mundo – que não EU.  


O Gabriel foi o freio de mão usado pelo Divino para me tirar de um caminho que não era o certo para mim. Larguei o cigarro antes mesmo de saber o resultado (enjoava só com o cheiro), comecei a me alimentar melhor – curei minha gastrite assim – , li um monte de livros de uma vez – Ele sabe como eu sentia falta disso -, pude me dedicar a sonhar e construir, sem que isso parecesse errado ou egoísta e como toda mãe protegendo a cria ( e nessas horas o instinto animal em uma espécie de Matar ou Morrer grita ) tirei do meu caminho tudo e todos que atrapalhavam de alguma forma o meu progresso. 


Me senti responsável por uma vida, e pela minha vida também. Prometi pra mim mesma que faria valer a pena. Que seria uma mãe igual ou melhor do que minha mãe foi. Não perfeita, mas preparando os filhos para que eles tivessem auto-estima e enfrentassem a vida.  Pela 1ª vez pensei na minha morte – e no quão assustadora ela pode ser para quem fica.


Daí uma bela manhã, sozinha em casa, a bolsa estourou e 18 horas depois de muita dor e lágrima pela falta de dilatação ( que o docinho do Gabriel fez força pra estourar a bolsa, aquele aguacê todo e depois cansado ficou paradinho na dele – Se vira mãe!) e uma cesárea de emergência no dia 25/07 meu bebê nasceu. E é a coisa mais linda do mundo! Doeu MUITO! Foi induzido e eu queria um parto normal que não rolou. Mas antes isso do que meu bebê ter alguma sequêla. – Contrações tão próximas dificultavam a chegada de oxigênio até ele.


Ele é esperto, sorridente, falante ( balbuciador né), engraçado, dorme a noite inteirinha, um verdadeiro anjinho! O medo de não dar conta passou. Fico sozinha com ele a maior parte do tempo com alguns sustos no hospital sem problema algum. É tão gostosa a nossa sincronia, amamentar, brincar, embalar, ninar e amar ele. Nunca pensei que pudesse AMAR TANTO alguém. Olha que eu não cresci com muito contato com a natureza, mas ele nasceu e explodiu em mim um instinto de sobrevivência absurdo! Me descobri mulher, bicho, mãe – lambendo muito a cria – É algo quase viceral. E eu nunca estive tão feliz! Depois de tantas decepções dei boas-vindas para o 1º membro da MINHA família. Ele é uma motivação maravilhosa. 


Resolvi escrever esse post para fazer uma constatação:


– Eu achava que o caminho certo para dar errado estava em uma maternidade antes dos 25 anos de idade, ou antes de casar oficialmente com alguém, ou de terminar a faculade e coisas preconceituosas assim que as mães enfiam na nossa cabeça com medo de virarem avós cedo ou de verem seus bebês passando por dificuldade. Que não existia vida pós maternidade e que as mulheres deveriam se comportar de acordo com um padrão X. E vi que estava redondamente enganada.

Li em uma crônica em uma revista mensal que os filhos acham que a gente sabe de tudo e que faz falta alguém do lado, segurando sua mão, mesmo que você já saiba fazer tudo sozinha- muito bem, obrigada! E que só amadurecemos quando perdemos os pais e estamos de certa forma sozinhos no mundo. Eu recebi um puta legado de 2 pessoas maravilhosas e que bom que tenho uma continuação minha para repartir. Que bom que não vou ganhar mais um gato no aniversário para me fazer companhia e que bom que depois da morte existe o nascimento e que ambos mudam TUDO!


Eu sonhava com uma vida perfeitinha e sob controle, e estava super rígida e inflexível. E o Biel mudou tudo de cabeça pra baixo e deu uma sacodida e quer saber? Eu Amei!


Posso não ter me casado com aquele cara que eu achava que era o ideal, ou ter as coisas aceleradas quando achei que precisava… mas pela 1º vez em muito tempo eu sinto que estou no caminho certo. Eu podia não saber onde tudo ia dar, mas aquele lá em cima sabia muito bem o que estava preparando para mim. E eu descobri novamente que posso ir mais longe, que eu aguento mais desafios e que eu amo eles!


Foi um ano sabático em um post longo… de alguém que agora pode dizer que viu um milagre acontecer!


Obrigada por me ensinar tanto Filho!


Eu mudei para melhor, me tornei mais paciente, flexível, empática, feminina, sensível, justa, sincera, amorosa, expontânea… uma porrada de coisas boas que eu vou descobrir mais e mais conforme o tempo passar.


A gente só entende o que é ser pai/mãe quando vira um. 


E quer saber? Meu filho vai ter uma puta mãe, com uma ou outra tatoo, viajando pelo mundo com ele de trabalho em trabalho e ensinando na prática como a vida é.


– Ser mãe é uma viagem muito louca! – Porque ninguém nunca me disse isso antes? 



Ps: não faço votos que meninas tenham filhos cedo! Tenho meu canto, pago minhas contas, volto p facul em janeiro e já sou maior de 21. Se você ainda não pode bancar e vai correr pro papai e pra mamãe, #ficaadica – Pense bem antes de fazer e se fizer não corra. Seja mulher e ASSUMA! Ser mãe não é doença ou falta de caráter. Com o pai do lado ou não, se chame a responsabilidade e receberá um grande presente. Amadureça ! Não dá pra ser criança pra sempre!



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Aberto para balanço…

]


Se você encontrasse com um amigo que não vê há muito tempo o que contaria sobre sua vida? O que aconteceu de significativo? Você teria para contar mais problemas, decepções, frustrações, enfim, faria muitas lamentações ou contaria muitas conquistas, crescimento, mudanças? Ao pensar em sua vida, como a descreveria agora?
Pense nisso… E daqui para frente, o que espera que aconteça? Como espera estar daqui a 5, 10 anos? E o que você está efetivamente fazendo para alcançar o que deseja?

Se suas respostas foram baseadas em dúvidas, incertezas, inseguranças, sempre com pensamentos negativos, duvidando que seja capaz de conseguir algumas coisas que deseja, como espera conseguir mudar sua realidade? O que está fazendo para mudar algumas situações que dependem exclusivamente de você? Ou você está aceitando tudo, conformado, pensando: “já que está tudo ruim mesmo, o que mais posso fazer?…”

Saiba que é possível fazer muitas coisas para alcançar o que deseja, desde que saiba o que quer, ou também poderá começar pelo que já sabe que não quer.
Ao olhar para trás deve ter muitas experiências ruins, que não deseja mais passar, mas que também trouxeram muitos aprendizados. O que aprendeu de significativo em sua trajetória de vida?
Algumas pessoas olham para o passado e conseguem perceber as lições; ainda que a custo de muito sofrimento valorizam o aprendizado, pois conseguem aprender com a experiência passada; outras só se lamentam sobre o corrido, repetindo o mesmo padrão por anos, sem aprenderem absolutamente nada. Essas geralmente se colocam no papel de vítimas, onde só conseguem se lamentar sem nada fazer para mudar. O que deixou de fazer há 3, 5, 10 anos atrás e que até hoje está sofrendo as conseqüências? Não terá sofrido o suficiente para perceber que algo diferente deve ser feito? Mas o quê fazer? Isso somente você poderá responder.

Quem sabe poderá começar pensando em ser mais flexível? Mais aberto às mudanças? Ou você sofre da Síndrome de Gabriela, lembra-se? “Eu nasci assim, eu fui sempre assim, vou morrer assim…” Você só consegue pensar que não há mais como mudar, afinal, já se passaram tantos anos? Você já se sente “velho” para aprender? Nada disso! Velho é quem pára de aprender, não se atualiza, e hoje vivemos em constante processo de mudança, quando pensamos em algo, já mudou!

Enquanto continuar acreditando que as coisas devem ser feitas sempre da mesma maneira, possivelmente tudo continuará tendo o mesmo resultado. É preciso estar em constante aprendizado, sair da zona de conforto, aberto a mudanças, seja sobre o que for. Seja em relação ao trabalho, à educação dos filhos, fazer a comida, se relacionar, amar, enfim, tudo muda em fração de segundos e devemos acompanhar esse processo se desejarmos evoluir, crescer; do contrário, encontraremos estagnação, e muitas vezes sofrimento.

Você pode começar analisando algumas situações e que na correria se esquece de dar uma paradinha para avaliar suas relações. Se hoje não tiver tempo, reflita sobre isso no final de semana. Reserve uns minutinhos para reavaliar seus valores, sua maneira de conduzir seus problemas e principalmente como reage a eles, afinal, estamos nos referindo à sua própria vida e não há nada mais importante do que isso.
Responda a si mesmo às seguintes perguntas:

– O que tem feito por você?
– Tem dito “não” quando essa deve ser a resposta? Ou ainda continua sempre querendo agradar a todos, fazendo tudo por todos?
– Você se esquece constantemente de suas necessidades?
– Tem tido momentos de lazer, tem feito algo para se divertir? O que gosta de fazer e não faz há muito tempo?
– Há quanto tempo você não dá um sorriso, ou uma gostosa gargalhada?
– Como se sente em relação ao seu trabalho?
– E em relação à educação de seus filhos?
– E como está sua relação com seus pais?
– E sua relação afetiva, sexual, como está?
– Tem sido rígido consigo mesmo e com os outros?
– Tenta manter o controle sobre tudo e todos? Quando na verdade não consegue ter controle nem sob suas emoções?
– Sente muito mais o abandono do outro do que o abandono que faz a si mesmo?
– Está em constante busca de aprovação e reconhecimento por se sentir sem valor?
– Está sempre se culpando do que acontece aos outros?
– Consegue perceber que muitas pessoas se afastam de você por julgá-las e/ou criticá-las?
– Tem medo de perder a pessoa amada quando nem percebe que já perdeu a si mesmo?
– Consegue identificar seus sentimentos ou está sempre em constante movimento para não entrar em contato com o que está dentro de você?
– Está constantemente se frustrando por criar muitas expectativas?
– Tem se sentido triste, constantemente irritado, sem energia?

Analise com calma todas essas questões e reavalie sua vida, suas relações. Procure responder a cada uma das questões acima, se possível, escreva suas reflexões. As dúvidas, os medos, mágoas, ressentimentos, culpa, frustrações, críticas, julgamentos, rigidez, cobranças, são todos obstáculos ao crescimento. Transforme tudo isso. Não, não há receita nem fórmula mágica, mas é certo que para as mudanças ocorrerem depende muito mais de você.

Comece se observando mais, pensando sobre todas essas questões. Cultive dentro de você a esperança, a fé, mesmo quando tudo parecer estar perdido. É a harmonia consigo mesmo e com aqueles com quem convive que lhe trará paz interior e preencherá seu vazio. É o amor por si mesmo e o respeito por seus valores e sentimentos que o fará se sentir uma pessoa de valor! E isso com certeza ninguém poderá lhe dar, mas também ninguém poderá lhe tirar, é uma conquista absolutamente sua e que com certamente fará toda diferença em sua vida!

Depois de todas essas reflexões e prováveis mudanças, talvez a história que irá contar quando encontrar um amigo seja bem diferente. Eu espero sinceramente que seja!

Vendo de outro ângulo.





Bizarre Love Triangle 

Every time I think of you
I get a shot right through
Into a bolt of blue
It’s no problem of mine
But it’s a problem I find
Living the life that I can’t leave behind
There’s no sense in telling me
The wisdom of a fool won’t set you free
But that’s the way that it goes
And it’s what nobody knows
And every day my confusion grows

Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I’m waiting for that final moment
You’ll say the words that I can’t say

I feel fine and I feel good
I feel like I never should
Whenever I get this way
I just don’t know what to say
Why can’t we be ourselves like we were yesterday
I’m not sure what this could mean
I don’t think you’re what you seem
I do admit to myself
That if I hurt someone else
Then I’ll never see just what we’re meant to be

Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I’m waiting for that final moment
You’ll say the words that I can’t say

Every time I see you falling
I’ll get down on my knees and pray
I’m waiting for that final moment
You’ll say the words that I can’t say.





Estou surpresa comigo mesma. Levarei em consideração meu sono, mas esse sentimento não me parece instável [Não dessa vez].
Eu finalmente entendi, foi um momento epifania maravilhoso! Eu não senti raiva, tristeza… nada. Só um grande sentimento de aceitação sobre as mentiras, as omissões e as palavras jogadas no ventilador. E não doeu – não porque eu me defendi contra o que veio – mas talvez porque o efeito da droga tenha passado finalmente. Talvez sair dançando pelo quarto outra batida 80’s seja tudo que eu posso fazer agora. Talvez a vida tenha me tirado da rota por saber o que era melhor pra mim. 
Acostumada a fazer analogias, a música diz tudo e me bate saudade – da época em que sair para dançar e beber era normal, onde eu não me preocupava com novas traições amorosas ou morais e a felicidade custava a entrada da Led ou outro Inferninho. Outro cigarro e muita risada. Hoje eu só sinto falta da música – eu amo dançar e de certa forma tirava o stress. Hoje eu não posso mais curtir como antes, as responsabilidades batem na minha porta junto com o estranho que se move dentro de mim. Mas eu estou feliz. 


Seria mesmo o certo olhar para trás? Seria mesmo o certo tentar remendar uma história que já está tão rota e mal-cuidada? Sabe, eu vejo o carinho com que ele tratou as outras (as várias outras) e durante muito tempo me ressenti por ter a certeza de que ele nunca sentiu por mim a mesma paixão, o mesmo amor e admiração que sentiu por elas. Durante muito tempo me perguntei o que eu tinha feito de errado, durante os anos em que me parecia importante ser uma boa esposa e uma boa dona de casa. Anos doentes, antes de eu me curar do meu lado MADA. rs  E a resposta veio sem culpas dessa vez. Eu não fiz NADA de errado me dedicando, era mais uma questão de dosagem, de para quem e porquê. 


Quando a confiança se quebra, nada mais vale a pena. É duro sentir que está dormindo com o inimigo. Quando se perde a consideração e o respeito que diferença faz? O que mais pode ser feito além de pegar os caquinhos e sair andando? Parece ser o mais sensato. Não há nada a ser feito e a constatação  disso no fundo acalma. Um dia você muda e vê as coisas de outro ângulo, pára de apontar os defeitos dos outros, por mais que gritem embaixo do seu nariz e se preocupa em fazer o que você pode. 


No começo eu sentia falta de palavras doces, de cartas e paixões inflamadas… mas isso não cabe as esposas. Somente as amantes. rs Aceitar que eu já amei outras pessoas em intensidades diferentes me ajudou a lidar com isso, ao contrário do ressentimento de um dos meus ex-namorados tentando pagar de guru espiritual no msn um dia desses. 


E você cansa dos joguinhos, das crises de ciúme, das mentiras e chantagens emocionais, do desespero do outro diante da sua inconstância (sempre correndo atrás do passado, ou de outras mulheres) e você – pela 1ª vez – pensa no presente. Um presente muito mais sólido e palpável do que nunca, sem interferências, sem cobranças. Um presente solo. Houve uma mudança de ângulo.  Já não importa mais com quem ele passa a noite, com quem ele fala, quem ele amou – se ela ou a mim… eu não vou brigar por amores. Minha fase inflamável já passou. E eu sosseguei, a vida é mais do que o lado amoroso. E os mestres aparecem quando se  está pronto para aprender a lição. 


A atual é o desapego. Sem rancores, sem ofensas… só a aceitação. Faz você se sentir mais leve em todos os sentidos. 
Na verdade o que mais magoa os homens depois que eu finalmente “passo” é que nada mais se mantém o mesmo e que quando a indiferença bate é pra valer. Não tenho ” ex amores especiais”. Meu amor especial sou eu mesma e estou bem assim.


Eu poderia me irritar com os amigos idiotas dele, com as mentiras, com a mania estúpida que ele tem de fazer com que eu pareça sempre a megera da história… mas nada mais me irrita. 


Porque lá no fundo toda a baixaria dele, é dele e de mais ninguém. 
Estou longe demais com meu coração e minha mente para me importar…


Só sinto falta da música e de mais ninguém.

Só Agora…

Baby
Tanto a aprender
Meu colo alimenta a você e a mim
Deixa eu mimar você, adorar você
Agora, só agora
Por que um dia eu sei
Vou ter que deixá-lo ir!
Sabe, serei seu lar se quiser
Sem pressa, do jeito que tem que ser
Que mais posso fazer?
Só te olhar dormir
Agora, só agora
Correndo pelo campo
Antes de deixá-lo ir!
Muda a estação
Necessário e são
Você a florescer
Calmamente, lindamente…
Mesmo quando eu não mais estiver
Lembre que me ouviu dizer
O quanto me importei e o que eu senti
Agora, só agora
Talvez você perceba
Que eu nunca vou deixá-lo ir!
Que eu nunca vou deixá-lo ir!
Eu não vou deixá-lo ir!

Este está sendo um momento difícil, daqueles em que o desabafo começa e termina dentro da alma. Não há necessidade de exteriorizar nada para ninguém, as pessoas só sabem julgar e costumam ser mais intolerantes com as pessoas próximas.
” A dor mais fácil de se suportar é a dor do outro!”

Quando se toma consciência de que existe um divino dentro de nós, porque se preocupar? A vida ainda é um grande teatro e em alguns dias eu só quero uma pausa, só quero que a peça acabe e eu possa voltar para casa. Poder ser eu mesma, não aquele eu que nessa vida tem um nome, um RG, paga impostos e é mortal; mas voltar para casa – realmente casa, rever minha mãe, abraçar meu avô e ter uma visão menos ” cabrestica” da realidade.

 Nunca estive tão cansada das pessoas! Não é um momento revolta – é só uma constatação – apenas parece que qualquer coisa divina na Terra morreu e nunca mais vai voltar. Eu tento, mas em alguns dias é difícil ficar de pé em meio a um Tsunami. ” Sê teu próprio amigo!” – maldito o homem que confia no homem. Quantas chances eu vou dar para que as pessoas errem again and again, and over again… É tão fácil foder com a vida alheia, as pessoas nem pensam mais nas consequências. O que esperar de uma geração que acredita que tudo é virtual, que se pode fazer sexo no banheiro do colégio, roubar é normal, jogar carteiras nos professores, acabar com a vida nos viadutos cheios de drogas, onde se mata mesmo sem reação a um assalto… Uma geração onde o egoísmo está acima de tudo e onde os alicerces que tornam a sociedade minimamente civilizada são considerados desnecessários. Estamos voltando a barbárie! Uma geração de crianças crescidas onde a Lei da Ação e Reação parece não se aplicar. Pessoas inaptas para serem produtivas, responsáveis e assumirem as consequências de seus atos. Uma geração cega e inconsequente.

O apocalipse está chegando e não me contaram!Deve ser 2012, se for, limpem a Terra por mim – ela está PODRE graças as pessoas.  Deve ser mais uma daquelas ironias do plano astral, para o meu mentor rir da minha cara novamente. Em alguns dias eu acho que ele tem uma espécie de humor sádico, assim como a minha querida e falecida mãe que vem nos meus sonhos conversar, e na hora do batente a escrava aqui (que não sabe para onde está indo mas graças a uma educação repressiva espírita-cristã que me faz acreditar que tudo de errado que eu fizer terá como consequência um dos “vales com ranger de dentes”- vales onde o sofrimento está aprazível com a energia do desencarnado com um menu que vai desde o vale dos suicidas, até aborteiros, homicidas, adúlteros, abusadores do sexo e etc. – temos ” infernos” para todos os gostos… ) acorda para a realidade e vê que prometer o que quer que seja no astral é muuuito simples. A vida aqui- na prática – é uma brincadeira sádica!

 – Seja obediente a Deus! – ok.-

Agora seja clarividente e tente adivinhar o que ele quer de você, qual é a sua missão.
Não erre, não pise ai, você prometeu, eu sei o que faço e você só precisa ser um fantoche – mesmo eu te dotando de inteligência, não questione!! Não era para você ficar com essa pessoa, mas com aquela, seu livre-arbítrio é lenda urbana – você está ai para fazer o que eu determinar.  Não deu certo? Culpa sua que está fugindo do que eu planejei para você. Perdoe, siga os exemplos de Cristo, faça caridade, siga a bíblia, os 10 mandamentos e no fim você descobrirá que não tem estômago porque eu te cobro um grau de perfeição muito alto, afinal eu sou Deus. E no meio do caminho para ficar interessante, mandarei inimigos, desastres naturais, imprevistos e entrarei em êxtase e deleite enquanto tu, mero mortal me entretem como se sua vida novelística fosse a nova temporada de LOST. –

Até Deus me sacaneia! Porque eu deveria esperar alguma misericórdia de seres que são a imagem e semelhança Dele?

Quem me conhece sabe que geralmente tenho uma frase de auto-ajuda, onde tudo se resolve, tudo passa e etc… Mas não dessa vez. Apenas uma decisão – apesar do meu momento indignação com o astral – de ir até o final para variar. De suprir as expectativas Dele, de esquecer que eu sou humana, de tentar não sentir. Será que tanta obediência me adiantará de alguma coisa algum dia? Se ele me disser no fim dessa vida ” Não reencarne mais! Fique aqui conosco!” – Pode ter certeza de que eu não piso nesse planetinha de merda nem pra visitar meus filhos!

Em alguns dias eu só gostaria de saber o que eu fiz pra um monte de gente que meio que me persegue na tentativa de ver quem consegue me ferrar da pior forma possível. Eu não tenho o direito de fazer o inocente pagar pelo pecador, mas tenho o dever de fazer algumas pessoas colherem o que plantaram. Dizem que Deus não é bom, que ele é justo… estão está na hora do troco. Tudo tem limite e eu já cheguei no meu. Antes eu pensava :” vamos ser legais, confie mais nas pessoas, todos erram… ” – agora eu penso: ” quem não cuida, perde e vá adubar a vida da vaca da sua mãe! Me erra, faz o favor e se atropelar minha vida de graça vai receber o triplo!”

Só agora eu abri uma bela lata de lixo e mandei um monte de gente ó – pro limbo! E vou mandar muito mais! Só agora o que importa é ser feliz e não ter vergonha disso, a família – a minha, não a que eu nasci- e recusar qualquer tipo de intromissão de seres humanos desocupados.
Sim, eu vou ser egoísta e bem realista e manter fora tudo aquilo que não presta! Cansei de ser boazinha Sr meu Deus. Agora está na hora da retaliação! Para quem já deu tanto de si, migalhas não bastam! Sofra com a sua consciência e se remoa, porque se você tentou me atingir, vai aprender que os fortes seguem em frente (gostando ou não) e que covardes como você choram e ficam sem ação. E eu sou forte. E quem é forte não tem medo, não vacila e segue em frente. Fez, agora limpa! Mas quem fica e quem sai da minha vida ainda é uma escolha – graças a Deus – Exclusivamente minha! Eu não preciso de ninguém, nem de conselhos, nem do seu passado podre… viva e morra na sujeira, eu vou sair intacta pra variar, vou estar longe de qualquer forma de contato ou consciência sua.

E você…
Pra variar.

Está FORA! 

Ela não viu…

” Precisamos conversar… “
Ela acabava de dizer aquela frase que soa como ” Cheque-mate”. Conseguia provocar dor mesmo sorrindo… em alguns dias eu senti raiva daquela facilidade, daquela meiguice trabalhada com requintes de crueldade. 
“Ela raramente tem consciência do que fala… melhor preparar a blindagem. ” – empirísmo entrando em ação.
Dia e hora marcados, milhares de penamentos tomaram forma na mente dela. Conclusões – nem todas pautadas em fatos, mas ainda assim decisivas. 
” Não consigo fazê-la mudar de idéia em nada! Uma batalha perdida”
Me entrega uma carta, outra entre outras tantas, exceto pelo medo de ler, pelas olhadas furtivas esperando salvação que de forma alguma viria. 
Algo quebra, posso ouvir o som oco com nitidez. Continuamos a brincar e a sorrir, fingir que nada aconteceu. Agora estou eu, sentada na frente do computador, tentando juntar os caquinhos, segurando o choro que balança entre o “desnecessário” e o ” em vão”. 
Ela é uma incógnita. 
Não é número exato, estudado… hora é X, hora Y. E eu sempre fico com a culpa no inconsciente como se fosse uma criança fazendo algo de errado. São desculpas repetidas, são frases doídas, são birras e manhas que eu não ouso entender. Enfim a história teve um fim, milhares de perguntas me rondam e eu as calo todas. Onde está o mistério das coisas? – dizia Alberto Caeiro. – Em lugar algum… não existem. – Essa é sua resposta, e a minha também. 
Amo aquilo que conheço, não um jogo. Não uma incógnita. Não sou física, sou normal… gosto do senso comum e não de seguir a vontade alheia. Precisei sumir, resolver minha vida que ninguém vai resolver por mim. Gosto da simplicidade, da ausência de cabelos em ovos, de aprender sobre as pessoas, de pessoas racionais e maduras… gosto de respeito, gosto de carinho e de compreensão. 
Gosto de pessoas despidas de medo e não de incógnitas. Tenho tantas outras coisas para fazer/pensar/resolver… Além do remorso do início disso tudo. 
Ela não viu os dias vazios, ela não viu as lágrimas e as dúvidas… 
Ela não viu a compreensão. Ela não viu nada além do próprio umbigo, da própria dor, da própria fraqueza. Ela não ouviu além dos elogios recebidos, dos dias perdidos…
Ela não me viu. Não teve essa sensibilidade, entre palestras dela para ela mesma, no amor de Narciso, ela não entendeu que a essência do amor não mora em gostar das pessoas quando elas partem, mas em olhar com olhos curiosos todos os dias. Ela (essa Pessoa), não conhece além do egoísmo.
” E ela partiu, virou outro alguém… começou a atuar, como fazia para esconder a  dor. Da lágrima á indiferença, tristeza vira alegria e tudo está bem. Ela nem notará, melhor assim…
Ela não vê, ela não ouve, ela demove qualquer ação… “

A única coisa que não muda é a mudança…

” Os dias passam rápido só pra me lembrar que a vida é assim… curta.

Faculdade, provas, trabalho, trabalho e mais trabalho…

Mais um gato em casa, o fim de um casamento, aprender a amar novamente – tentar não errar tanto…

a  voz dela… sim, quando ela ri. =)

A vida é curta.

Curta como esse post. E olha que eu não gosto de níveis de inteligência que compactuam com os 140 caracteres do twitter.

Francês, Inglês e Alemão dão nós na minha cabeça e eu torço pelos feriados, pelas metas rsrsrs

A vida é curta… “

Relacionamentos

 “Quem idealiza fica sozinho
mas quem não seleciona é infeliz. 
Viva ao equilíbrio.”

“Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:”- Ah, terminei o namoro…
– Nossa, estavam juntos há tanto tempo…
– Cinco anos…. que pena… acabou…
– é… não deu certo…”Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pôde ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante… e se o beijo bate… se joga… se não bate… mais um Martini, por favor… e vá dar uma volta.Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar… ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração… Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse… A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar… ou se apaixonar… ou se culpar…
Enfim…quem disse que ser adulto é fácil ????”

Arnaldo Jabor. 




Concordo plenamente. Dar certo não significa casar e ter filhos… 
E entre beijos de verdade e os piores beijos já dados, entre o melhor sexo com aquela pessoa que você nunca criou expectativas e o pior com aquela que você queria tanto e bem… foi o pior.


Ser adulto não é fácil.

Educação Sentimental

“A vida que me ensinaram
Como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro,
Família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito
Se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo
É menos do que eu preciso
Agora você vai embora
E eu não sei o que fazer
Ninguém me explicou na escola
Ninguém vai me responder
Eu sei a hora do mundo inteiro
Mas não sei quando parar
É tanto medo de sofrimento
Que eu sofro só de pensar
A quem eu devo perguntar
Aonde eu vou procurar
Um livro onde aprender
A você não me deixar”
Educação Sentimental II – Biquíni Cavadão
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*Depois da revolta de ontem… de volta ao estado zen.* XD
Eu tenho uma memória muito viva dessa música, na verdade está na minha lista de memórias que eu preferi durante muito tempo não ter e que no final vi que era uma bobagem muito grande tentar eliminar todo o passado. Não tenho só lembranças boas, mas devo muito ao meu passado, sinto meio que uma gratidão por tudo de bom e de ruim que eu já vivi.
Eu lembro de ter ganho um cd junto com um livro de presente de dia dos namorados (tudo made in home) acompanhado de um pedido meio que de brincadeira de casamento e uma rosa, eu disse para a pessoa que não guardei nenhuma recordação em um dos nossos últimos milhares de desentendimentos e reaproximações feitas de forma errada e com certeza na HORA errada dizendo coisas indizíveis.Mas bem, eu guardei tudo… guardei com carinho, não sei quanto a pessoa, mas aquele cd me traz ótimas lembranças de uma época em que tudo era simples e em que eu era muito mais verdadeira em muitos pontos.
Não gosto de revirar o passado, o sobre essa pessoa em especial ainda me é doloroso, muito menos a cada dia que passa, mas as coisas que eu aprendi no presente meio que curaram parte do meu passado e a isso eu também sou grata. Se eu pudesse pedir desculpas, acho que eu pediria para várias pessoas, mas eu sei que quando eu marco uma pessoa é para deixar cicatriz então eu me limito a pedir perdão a Deus e a desejar o bem via pensamento. Como eu digo sempre… o que interessa é quem eu sou agora, e não há mais necessidade de provar isso para ninguém. Dou minhas cabeçadas como todo mundo, e tento ser feliz como todo mundo… fé em Deus e isso me basta.
Parando com o confessionário e suas memórias e indo para as analogias….
Eu ouvi essa música hoje, e eu parei para pensar na minha falta de aptidão para relacionamentos, não só na minha mas na de uma geração inteira. Chamo de “ultra românticos nascidos nos anos 80”, regados a filmes melosos e idealizações. Lembro do meu 1º namorado, e eu sabia milhares de teorias sobre como um relacionamento deveria funcionar, mas não sabia nada na prática de como fazer ele durar. Para uma primeira experiência, 3 anos e 2 meses (acho… péssima para contas, mas passou do aniversário de 3 anos. ) até que foi um recorde bom, mas acho que se alongou demais… na época eu não sabia a hora certa de parar e acho que ambos não sabiam como esquecer. Naquela época eu achava mais simples uma prova de matemática com toda a matéria de funções, que eu só fui assimilar para o vestibular no Cursinho, do que entender por que nós brigávamos tanto!
Os anos passaram e eu vejo que não existem regras, na verdade algumas básicas como no xadrez e o resto é com vocês e os movimentos feitos. O resultado muda muito de um casal para outro, mas a minha idéia fixa de que a escola e os pais não preparam os filhos para um relacionamento a dois, ainda visita minha pensante cabeça em sextas-feiras sem nada de muito especial. Infelizmente algumas coisas se aprendem na prática: beijo, sexo, beber, dirigir… vivenciar ainda é a melhor maneira de se aprender. Se aprende vivendo. A educação sentimental rola na prática, não acredito em quem faz um check-list,  tentando racionalizar tudo e seguir um manual inexistente da melhor conduta que o casal deve ter.
No campo sentimental tudo é muito relativo, cheio de “porquês”, de motivos e complexidades. Pessoas tomam atitudes iguais por razões diferentes e em um caso pode ser bom, no outro ruim ou condenável. Tanto relativismo me força a pensar, o que me leva a ver meus últimos relacionamentos de forma racional, blindei sem dó meu coração. Talvez a entrega incondicional e sincera tenha feito meu 1º namoro durar tanto, e talvez a falta de entrega tenha feito os outros não passarem do 1 ano e meio, mas sou dada a extremos chegando mais perto do equilíbrio a cada dia. Falando ainda dele, eu passei por várias fases estranhas nas várias vezes que terminamos… Dor, raiva, depressão, ódio, sentimento de desprezo, indiferença, vingança -sim eu pedi revanche e machuquei ele…- inconformismo, dó, (colhi o que eu plantei né… levei o troco), meditação, julgamento, absolvição e por fim gratidão. Não há mais nada a ser especulado sobre isso… peguei um sentimento grande e reduzi e transformei ele ao máximo. Tudo que começa tem que ter um fim…
Não quero colecionar relacionamentos, acho estúpido emendar um namoro atrás do outro, decidi que se agora tiver que ser, não vai ser pela paixão como com o 1º, ou pela química e pelo esquecimento com o 2º, ou pela amizade com o 3º, pela solidão com o 4º, pela idealização com o 5º, pela intensidade e dominação ( a la o vento levou… igualzinho.¬¬’) como com o único que morou 1 ano e meio comigo. Do 1º até o último passaram-se quase 7 anos e eu não vejo mais espaço para paixões desenfreadas, feitas por caprichos, orgulhos tolos que só condenam a alma humana a dor e a solidão. Dois desses relacionamentos nem deveriam ser chamados de namoro, mas casinhos…tentativas de talvez virar um relacionamento, mas pela duração e porque houve sentimento estão aqui citados.
Sinto que estou fechando um ciclo, meio que uma despedida dos fantasmas do meu passado. Me sinto muito mais leve depois do ritual que eu fui com o Dario. Materializei aquilo que existia dentro de mim e pela 1ª vez em muito tempo pedi verdadeiras desculpas a todos que machuquei, mesmo que eu pague pelos meus atos    (e de muitas formas eu mereço) sinto que posso fazer isso sem medo, sinto que estou quite com Deus, com a minha consciência e depois de tantas lágrimas talvez com a vida. Depois de um ciclo vicioso eu aprendi que com o coração não se brinca, que o desapego evita machucados e relembrei que saber para onde se vai ainda é a melhor forma de ser feliz.
Talvez você seja uma daquelas pessoas que se martirizam por todos os erros cometidos, ou que não liguem para o passado porque ele não volta, ou que xingue todos(as) ex namorados(as) desejando que quebrem o pescoço ao descer uma escada, ou desejem ter uma munição com balas de prata para a pessoa ir e nunca mais voltar, mas eu acho tudo isso uma grande bobagem.

Quando eu penso em todas as vezes que eu passei por momentos difíceis, eu vejo com clareza a imagem de algum amigo, ou ex namorado me apoiando, me dando colo, me acordando de manhã quando eu estava em depressão, me trazendo comida em casa, indo até o hospital comigo, não dormindo porque eu estava ardendo de febre, não dormindo porque estava o tel comigo até as 4am, ou segurando minha mão no velório da minha mãe, me abraçando bem forte quando meu avô morreu, me ajudando a escolher um apartamento, até aconselhando sobre outros caras mesmo sendo ex, fazendo festa de aniversário surpresa, levando café da manhã na cama, me dando bronca, ensinado a pilotar uma moto, me ajudando a mobiliar a casa, me ajudando a estudar e comemorando quando eu passei na Mackenzie, enxugando minhas lágrimas quando eu precisei sair de casa, e ouvindo quando a minha família me traiu, me buscando no trabalho ou fazendo a janta… era verdadeiro e a alma se alimenta disso. Era amizade e amor em suas diferentes formas, era doação… então eu não consigo pensar de forma ruim de nenhum deles. Me recuso a desejar mal, pois eu estaria pagando momentos importantes, únicos e felizes com ingratidão. Eram coisas que a gente faz quando se importa, tipo família, então sempre vai ter um lugar especial aqui, independente das lembranças ruins.

Não desejo de nenhuma forma que o passado volte, é para frente que se anda, mas se a vida me fizesse esbarrar com algum deles eu até olharia com aquela cara de joinha…rs De poxa, valeu por ter estado ali e ter ido embora quando achou que era a hora. Valeu pelas lembranças, por ser um cara bacana, por ter me ensinado tanto… se sou uma mulher hoje, devo muito a você! Realmente me desculpe por não ter cuidado tão bem do seu coração como eu deveria, também não cuidaram do meu e ai eu aprendi. Não falaria nada, depois de tantas palavras ao vento, tantas juras de eternidade efêmera e bilhetes no espelho de motéis, você vê quando você perde você ganha e que não há nada a ser dito…

Olhar para frente com aquela sensação de valeu a pena… hoje eu vejo muito mais longe do que antes, vejo com mais clareza meu passado por não ter sentimentos envolvidos. Valorizo mais esses momentos como esses que eu citei, não vejo como obrigação, mas como presentes que a vida dá. Deus colocou anjos da guarda no meu caminho até aqui, até que eu decidi ser o anjo da guarda de alguém, não pedir colo, mas sim dar… é mais difícil do que eu pensei, mas eu me sinto bem me doando, mesmo que eu me machuque, sei que vale a pena.
“Quando tudo mais que você sentir morrer, preserve a gratidão com você para que o coração não endureça. Deus faz hoje e só vamos entender lá na frente… Não peça nada em troca.”
Acho que eu fiz um balanço sem querer por estar num momento de pausa… um momento comigo mesma, e estou bem não sentindo falta de estar com ninguém.

Sobre furacões, humanos e a verdade que você não queria ouvir.

Voltando depois de muitos meses… escrever ainda é tão necessário quanto respirar!

E começou com uma brisa… 
Não deveria existir graça nos problemas dos outros.
 
 

I thought I saw a man brought to life
He was warm he came around like he was dignified
He showed me what it was to cry

Well you couldn’t be that man I adored
You don’t seem to know-or seem to care what your heart is for
But I don’t know him anymore

There’s nothin’ where he used to lie
My conversation has run dry
That’s what’s goin’ on

Nothing’s fine
I’m torn
I’m all out of faith, this is how I feel
I’m cold and I am shamed
Lying naked on the floor
Illusion never changed
Into something real
I’m wide awake and I can see the perfect sky is torn
You’re a little late
I’m already torn

So I guess the fortune teller’s right
I should have seen just what was there and not some Holy light

But you crawled beneath my veins and now I don’t care, I have no luck
I don’t miss it all that much
There’s just so many things

That I can’t touch
I’m torn
 

Natalie Imbruglia – Torn

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Acho que essa música me poupa muitas palavras…

Em alguns momentos desejamos, temos sonhos e lutamos para vê-los concretizados. É inerente ao ser humano o pensamento abstrato, sentimentos como fé e esperança, otimismo e a crença no final feliz. Sou humana também, portanto faço parte dessa massa que acredita e faz acreditar em dias melhores, mas no presente momento não estou acreditando em nada.

Não quero dizer caro leitor, que isso seja de todo ruim, ou que estou passando por uma fase depressiva onde a fé em Deus também falta. Na verdade o que me falta é a fé nos homens. – Quanto mais penso conhecer alguém, mais me abro para o desencontro e a decepção de toda espécie. – Parece que a vida sente um prazer sádico em me mostrar sempre o pior lado do ser humano.

Lembro de uma passagem bíblica que dizia sobre os homens que praticam a palavra de Deus e os que não praticam, uma comparação com uma casa com o fundamento sobre rochas e a casa construída sobre areia. Acredito que em algum momento do meu relacionamento com o meu – ex-atual-futuro- esposo, troquei as rochas por cascalho e areia de praia… aquela fininha  que parece pó e faz edifícios como o Palace II virem ao chão. Na verdade tenho consciência de que fiz muito do que estava ao meu alcance para ter um bom fundamento, ai entra o furacão.

Esse furacão tem vários nomes, falta de vergonha na cara poderia ser o primeiro… rs

Brincadeiras a parte, gostaria de frisar que a teoria dos namorados (aqueles casais cute cute que se vêem apenas algumas vezes por semana e que quando brigam podem bater o telefone na cara do outro e ir para o computador, já que moram na casa dos pais, separados, não pagam muitas contas e não tem a obrigação da coexistência… ) sobre o casamento (Largara seu pai e sua mãe, se unirá a uma mulher e juntos serão uma só carne…) é tão abstrata, tão teorizada por ser um assunto cotidiano, que me irrita!

Longe de mim dizer que quem nunca dividiu a vida com alguém não tem o direito de ter uma opinião a cerca do assunto. Naturalmente tem! Mas a complexidade da minha situação atual, as dimensões que isso tem dentro de mim, das minhas crenças, das minhas escolhas, ninguém pode se meter, ou julgar. Tudo começou de forma pequena: pequenas brigas, pequenos desrespeitos, pequenos descasos, pequenas birras, pequenas folgas, pequenas intromissões, pequenas mentiras… Eis que 1 ano e 3 meses depois o furacão passa e arranca a casa do chão.

Era necessário?
Foi por falta de avisos?

Não consigo mais ver os fatos isolados, na verdade agora vejo uma grande massa com direito a resumo analisado de forma impessoal. É fácil ver partida por partida, difícil é ver o final do campeonato, ter uma visão mais de cima, um pensamento mais amplo e menos mesquinho perante a vida. O último furacão foi no dia 27/05. Tanto a matéria quanto a alma pereceram, e eu só quero justiça. Não quero conversas, não quero brigas, reconciliações, desculpas já foram pedidas e aceitas, não quero falar sobre isso… É um momento de LUTO.

É só isso que eu posso dizer, que quero que os meus poucos amigos respeitem isso, que eu devo tomar as decisões mais óbvias sobre a MINHA vida por escolha minha, não porque alguém aconselhou, julgou, absolveu ou disse. Não quero gente me acordado todos os dias como se eu fosse o Ia News – dê satisfações diárias da sua vida para mim, que não te sustento! – PRONTOFALEI! Se eu tive de ouvir que boa parte das minhas atuais mazelas se encontram na bondade e falta de imposição de limites, bora limitar o acesso a minha vida para tooodo mundo! ¬¬

Estou de luto pela morte de um dos meus mais caros sonhos, o assassinato daquilo que sinto, do sentimento pelo único homem que posso dizer que amei, para manter vivo quem sou, meu amor próprio principalmente. Essa é uma barreira que eu nunca vou quebrar. Não desistir, perdoar, amar com os defeitos, qualidades e seguir em frente, saber esquecer… não, não se encontra isso em qualquer esquina. E no fim cada um sabe de si!

O engraçado é que sempre que a gente estava junto e não contava para ninguém, viajava escondido, fazia amor a noite inteira com todo mundo pensando que estava tudo ruim, tudo errado e eu sozinha, tudo dava certo! Não havia brigas, não haviam discussões… só amor traduzido no nome de uma pessoa. É incrível como todo mundo “urubuza” o meu orkut, como chove gente pra me perguntar “vocês estão juntos?”. Mais que Porra! – primeiro palavrão do blog. Vive a sua vidinha e deixa a minha em paz! Você vai servir de colchão? Vai pagar as minhas contas? Então não pergunta! Pergunta se eu estou bem 1º e se eu quiser, talvez eu de uma palhinha e complete sua necessidade Big Brother de ser. De ter a vida alheia como parâmetro! Porque gente infeliz e solteira faz a felicidade dos mal amados!

Eu contei duas semanas atrás, tirando umas 3 pessoas que eu realmente considero, 12 pessoas vieram tirar satisfação de se eu estou namorando ou não! Imagina minha cara no msn… O SER nunca te dá oi, e a 1ª pergunta é essa atualização para o mercado da Dna Candinha. Eu vou excluir esse orkut, porque eu não mereço! Você vai lá olhar meu perfil, eu só adiciono quem eu conheço e eu acho que vale a pena -Se tem 200 pessoas peneiradas é muito! – Neguinho tem 500 contatos e ainda vem fuçar no meu perfil… me diz o que a vida de uma garota de 20 anos, órfã e que mora do outro lado da cidade no bairro da Liberdade tem de tão interessante? o.O

Olha, eu não entendo seu Orkut…” – Olha! Me poooupe-
É só uma página! Vá ler um livro!!!



Longe de mim dizer que é culpa dos desocupados os meus problemas, mas eu acredito na sabedoria divina e acredito em mim. – Se papai do céu me tirou meu padrinho (que era + que um pai), me tirou aos 16 anos minha mãe e me deu todas as invejáveis condições de seguir em frente sem precisar de ninguém de muleta ser auto-suficiente desde os 18 é para poucos! Sou foda! é porque eu não estou precisando de substitutos a tutores, que eu sei me cuidar sozinha.

Bem… eu continuo matando um leão por dia, mas agora vou matar seres humanos. Talvez eu mate aquela amiga que se diz tããããão ocupada mesmo gastando tempo futilizando a net fuçando perfis para te dar um oi, e que do nada te exclui do msn. (sem explicações! o.O) Mas para sorrir quando você diz que as coisas não vão bem, e se achar superior é a 1ª. Pra construir uma imagem falsa também. É filha, as máscaras sempre caem. Quer parar de se achar a última bolacha do pacote? Também não corro mais atrás!

Estou num momento clean. Totalmente faxina! Não estou com tempo pra mimimis, bobagens e coisas que não me acrescentam, na verdade estou cansada de pessoas!

Cansada dos pitis ciumentos do meu ex.
Cansada do barulho que aquele rolo bipolar faz se dando importância. E me fazendo rir…
Cansada de amigos falsos e que eu não via antes essa desqualificação.
Cansada das contas.
Cansada de você ter roubado o MEU maço de cigarro.
Cansada dos holofotes…

Chegaaaa!!
– Olha, no geral eu sou suuuper calminha. Mas hoje?

Não fode com o meu humor!
Doa a quem doer eu não engulo mais sapo, minha gastrite agradece. ProntoFalei!


Antigamente eu até condenava o meu “tecla foda-se way of life”, mas eu ainda gosto de ser aquela carne de pescoço, e já me disseram que eu educo algumas pessoas. Se os mais sem Q.E. (inteligência emociona) ex namorados aprenderam, essa cambada tem salvação ainda… ou isso ou eu piro!

Grrrrrrrrr!



A Primeira Infância…

Meus Oito Anos…

“Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !Como são belos os dias

Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !”

Casimiro de Abreu

Este é o livro original, “As Primaveras”, publicado em 1859.

Nostalgia à parte, talvez assim como eu, se pegue pensando em anos passados que na ausência de fotos deixaram apenas boas lembranças. Acredito que os seres humanos têm uma grave tendência a lembrar somente das coisas ruins que lhe acometeram. Como nesta fase da vida não temos  muito controle sobre os rumos de nossas existências, acredito ser uma grande bobagem ficar se lamentando de situações imutáveis. Tenho boas lembranças da minha infância, e lembro de sempre ter olhado o mundo com um certo ar de aceitação perante as dificuldades, como se tudo aquilo não passase de uma grande brincadeira, que um dia em uma data não muito precisa, teria um fim. um olhar de criança traquina que andava descalça na rua que conservo até hoje.

Não vou e nem posso dizer que todos os dias foram normais, que tive a vida mais pacata, os pais que nunca erraram ou que nunca estive triste ou preocupada por motivos que fugissem do normal para a idade. Mas com o passar dos anos e a chegada da maturidade, vi com clareza que o que realmente importava nunca foi ter uma família de comercial de Margarina Doriana, ou esperar que a vida de todos eles fosse eterna, mas ter a consciência de que tudo aquilo era passageiro e não ficar triste com este fato. 

Assim como o Casimiro de Abreu, posso dizer sim que tive uma infância. Daquelas em que sempre existiu muito contato com a natureza, subidas em árvores, sonhos, histórias quase todas as noites antes de dormir,a imensidão do céu olhando estrelas do telhado, carinhos de mãe e até mesmo uma época em que a palavra irmã fazia muito mais sentido do que hoje. Acredito que a infância hoje em dia tem sido vivida com uma pressa absurda, na minha época (nascidos na década de 80), também era, mas é engraçado pensar que mesmo com as influências, nunca fui 100% contaminada pelo “mamãe quero ser grande”.


Agradeço muito a minha mãe, por ter tido certo medo de me ver cescer logo e por ter me dado um toque quando ela achou que era hora de ter mais responsabilidade. Ela nunca me deixou usar maquiagem antes da idade, nunca incentivou o namoro antes dos meus 14 anos, vigiava de longe minhas amizades, conversas e sempre teve um papo muito franco sobre a vida de uma forma geral. Agradeço ao fato de ter tido uma mãe que sabia dizer não, que me deixava de castigo, que cobrava obediência, boas notas e sobre tudo educação. (nem sempre segui tudo que ela falava, natural, mas ela bem que falava.rs) Admiro o fato dela ter tentado mostrar que acima de tudo era uma amiga, e como todos aqui na Terra, humana e portanto pasível de erro e dor.

Agradeço pelas vezes em que ela passava em uma livraria no centro depois do trabalho e trazia para casa um livro para mim e outro para minha irmã. Ou quando mesmo cansada ainda tinha pique para perguntar como tinha sido nosso dia, o que aprendemos no colégio, e  se perder em desvaneios durante a noite contando histórias inventadas por ela sobre borboletas azuis ou flores e batatas. Agradeço por ter crescido em uma casa com 6 pessoas, acho que me ensinou a ser mais altruísta que muito filho-único que eu já vi. Não tinha muito espaço para o egoísmo em nossas vidas. Ao menos na teoria esse pensamento funcionava, mas com 6 pessoas em um sobrado, ou você cedia ou incomodava.


Sonho em um dia ser mãe, sempre adorei crianças, sempre ouvi de namorados coisas como “você daria uma boa mãe” e geralmente era aquela garota para quem eles falavam sobre casamento. Acredito que quem não gosta de criança, ou não teve infância ou não presta! Simples assim.  Talvez hoje eu pense assim por ter tido um contato legal com crianças educadas, ou por ter casado e mesmo não querendo ter filhos agora já não ter o mínimo medo de engravidar. Quem sabe a maturidade, a mesma companheira que me fez entender através das dificuldades os por quês de muitas escolhas, me fez ver de uma forma boa a responsabilidade sobre a vida de alguém. Quem não sabe cuidar de si nunca cuidará bem de alguém.


Espero que meus descendentes possam também colher conchas na praia, subir em árvores e ter um quintal grande para brincar, espero não ter apenas um filho já que acho que é saudável ter irmãos. Na ausência dos pais (como é o meu caso) serão sua única ligação direta com o passado e seus primeiros amigos.  Desejo poder viver cada fase de minha vida sem pressa, por etapas, e quem sabe ser uma mulher tão bacana e vencedora como minha mãe foi. Ser um exemplo em muita coisa, já que a educação se aplica mesmo nos exemplos, tanto os bons quanto os maus. Como eu disse antes, não vou dizer que meus pais nunca erraram, pois o fizeram diversas vezes e esses erros me afetaram de diversas formas. Mas não cabe a mim julgar. Mas o simples fato de terem tentado ao contrário de muita gente que eu vejo todos os dias, já os torna especiais.



Acredito que esse será o único post falando um pouco sobre a minha infância, sobre a minha ausência de pressa em perder a virgindade ou dar o primeiro beijo. Foram coisas que eu não pressionei, simplesmete aconteceram na hora certa. Sobre o mundo louco que estamos vivendo e minha preocupação com o amanhã.  De forma subliminar sobre o que me fez pensar sobre isso.  

Amo tanto meu esposo que é quase inconfessável o desejo que tenho de um dia ver em forma de gente, correndo pela casa, um pedacinho do nosso amor. Eu nunca disse “mamãe quero ser grande”, hoje eu de fato sou gente grande, espero que na hora certa. Tomei para mim tantas responsabilidades nos últimos 3 anos que não sobrou espaço para a imaturidade. Não tenho saco para gente imatura, estouradinha ou fútil. Mas isso fica para outro post.

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !



Infância que eu não mudaria uma vírgula, e que por mais que me faça sorrir ao lembrar, não gostaria que voltasse.